Cartas Psicografadas de Vítimas da Boate Kiss em Livro

Cartas Psicografadas de Vítimas da Boate Kiss em Livro.

Neste sádado dia 28 de julho de 2018. Foi divulgado um Livro com cartas psicografadas por médiuns da Cidade de Uberaba de Vítimas da Boate Kiss.

“O Objetivo foi levar as famílias o mesmo conforto dos que receberam as mensagens, disse a mãe de um dos jovens que foi vítimas da tragédia em 2013. “

Cartas Psicografadas de Vítimas da Boate Kiss em Livro

‘É preciso quebrar os tabus e apagar de vez essas conversas de morte. Ninguém morre’

A frase acima foi enviada pelos irmãos Pedro Freitas Salla, 17 anos, e Marcelo de Freitas Salla Filho, 20 anos, a seus pais, Marcelo e Márcia, por meio de uma carta psicografada pelo médium Nilton Cesar Stuqui, em Neves Paulista, no dia 29 de julho.

Na busca por consolo, alento e principalmente explicações, 54 pais, adeptos da doutrina espírita, deixaram a região de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, em um ônibus fretado.


Cartas Psicografadas de Vítimas da Boate Kiss em Livro.

Stuqui psicografou cartas de 29 jovens. A sessão começou às 18h e terminou pouco depois da meia-noite, sempre com muita lágrima e emoção. A cada frase, a cada lembrança e segredos, choros incontroláveis.

Há cartas em que o médium revela detalhes particulares da família e momentos da infância no Rio Grande do Sul (leia mais nesta página). “Lógico que sentimos falta do contato físico, mas aprendemos a lidar com os sentimentos”, conta Marcelo.

O casal não segurou as lágrimas quando recebeu essa mensagem de Pedro. “Lembro quando saíamos de carro e eu adorava abrir o vidro para mexer com os amigos na rua. A alegria era intensa.

Tive ao vosso lado tudo que eu precisava para ser muito feliz. Não posso me queixar de nada, sei que logo vamos nos reunir e isso será ainda mais feliz.” São revelações que fortalecem ainda mais a fé e, de certa forma, amenizam a dor do luto.

“A certeza de que nosso filho está vivo nos afasta dos remédios e da depressão”, disse Mariângela Pontes Gonçalves, mãe de Guilherme 19 anos, vítima do incêndio da boate.

Ela, inclusive, foi quem puxou a fila e organizou a primeira caravana, em junho de 2013, para Uberaba e posteriormente para Neves Paulista.

O encontro de Stuqui com os pais das vítimas aconteceu em agosto de 2014, quando o médium visitou Passo Fundo (RS) e conheceu Mariângela. Desde então, a convite dos pais, Stuqui passou a visitar Santa Maria.

Mariângela Pontes Gonçalves, mãe de Guilherme, sustenta que há detalhes nas cartas psicografadas que somente o filho poderia saber. Por isso, ela não tem dúvidas quanto à veracidade das mensagens.

“São muitos detalhes íntimos, detalhes de dentro de casa. Tem coisas que não teria como o médium saber, já que lá só se diz o nome da pessoa. Isso nos dá uma certeza absoluta de que elas são verdadeiras”, afirma.

Cartas Psicografadas de Vítimas da Boate Kiss em Livro

Leia o trecho do Livro

“Querida mamãe Mariângela e papai Ricardo, o senhor seja louvado. Estou aqui em companhia da Stefani e da querida vovó Quirina.

Não vamos mais pensar no incêndio que nos vitimou em Santa Maria, no que nos sucedeu, como mais uma demonstração de Misericórdia Divina que dilui a dor que era nossa em 242 partes exatamente iguais…

Felizmente não era nossa em 242 partes examente iguais… Felizmente não pudemos e, ainda não podemos chorar como se aquele sofrimento fosse apenas nosso.

Acredito, mamãe e papai, que muitas tem sido as manifestações espirituais em torno da tragédia que precisamos tentar minimizar em nossas lembranças.

Contudo, de minha parte compreendo que, no último quartel do século passado, mais de duas centenas de espíritos, desejosos de adentrar o Terceiro Milênio da Era Cristã sem maiores comprometimentos cósmicos reuniram-se no Mundo Espiritual e decidiram pelo resgate coletivo das faltas cometidas em séculos anteriores.

Claro que referidos compromissos não dizem respeito tão somente a nós outros, visto que, em maioria, aqueles que nos acolhiam na condição de filhos igualmente se encontravam comprometidos perante as Leis Divinas, que nos compelem as quitações de nosso débitos para com a consciência ceitil.

Em vidas que se foram, mamãe e papai, não raro, nos transformamos em incendiários e não foram poucos os filhos que, em nossas atitudes de violência, apartamos dos braços carinhosos de seus genitores.

Aqui nesta manhã, em nossa companhia orando conosco estão os irmãos Marcelo e Pedro, além de outros, com o nosso irmão Pedro me solicitando dizar aos pais Marcia e Marcelo, que, a semelhança do irmão Marcelo, ele se encontra muito bem, esclarecendo que ainda não escreveu a eles por absoluta falta de oportunidade.

Não se preocupem. Em maioria estamos todos bem, porque a escolha efetuada por nós foi uma escolha consciente, porque conforme lhes disse, anelávamos adentrar o Terceiro Milênio que começa com novas e mais amplas perspectivas de avanço espiritual.

Realmente ninguém deve ser considerado culpado pelo que nos sucedeu. Que o episódio naquela casa de espetáculos, em Santa Maria, simplesmente nos sirva de advertência para que sejamos mais cuidadosos, sobretudo, no respeito que nos cabe aos nossos semelhantes.

Não posso continuar. O meu tempo já se esgotou e preciso ceder lugar e vez a outro comunicante.

Com meu amor a vocês dois, mamãe e papai, sou o filho que não os esquece e que, em nome de dezenas de outros filhos desencarnados na mesma tragédia, agradecem tudo que vocês dois vem fazendo para confortar aos seus pais.

Com meu carinho e da Stefani, que já escreveu aos seus familiares, sou o filho sempre agradecido.

 Carta psicografada por Guilherme Pontes Gonçalves, recebida no Lar Espírita Pedro e Paulo, através do médium Carlos A. Baccelli – Uberaba, Minas Gerais, em 26 de julho de 2014″

Cartas revelam ‘segredos’ entre pais e filhos

Pergunte aos pais o impacto da saudade em meio à perda de um filho. Rose Mari Posser Simeoni logo faz lembrar uma canção triste de Chico Buarque (Pedaço de mim), onde ‘a saudade é o revés de um parto.

A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu’. Rose, que perdeu o pai ainda jovem, no mesmo dia em que descobriu estar grávida de Stefani, também soube que o marido estava com câncer.

Quando Stefani completou nove anos, Rose perdeu o marido. Num intervalo de cinco meses, a mãe se foi.

Stefani, garota linda, dedicada aos estudos, ajudava a mãe Rose a cuidar da tia com problemas mentais, a Mari. Aos 15 anos, Stefani deixou a casa da mãe em Marau, 302 quilômetros por Santa Maria, com o objetivo de estudar na Universidade Federal de Santa Maria.

Passou no vestibular de odontologia. Rose, apesar de todas feridas, nunca perdeu a alegria, e motivava Stefani com a frase “dizia a ela, assim: Levanta a cabeça, guria. A vida é boa!”. Porém, toda essa fortaleza veio abaixo quando perdeu “sua princesa”.

“Seria difícil encontrar essa luz que me conduz hoje para algum lugar. Logo confiei quando o Nilton, mesmo sem conhecer a Stefani, nos impressionou com detalhes. Numa das cartas desenhou flores, que amávamos, lembrou da frase ‘levanta a cabeça, guria. A vida é boa!’.”

O médium Nilton César Stuqui, de Neves Paulista, psicografou três cartas de Stefani. Na primeira, em agosto do ano passado, descreve: “Tudo o que vivemos em casa mãe, as brincadeiras, os desfiles de moda, as alegrias e gargalhadas, os vídeos feitos…”

Rose comprova que Stefani fazia vídeos e desfiles para alegrar a tia Mari. A riqueza de detalhes fez os pais acreditarem ainda mais nas cartas.

“Só mesmo,minha filha para escrever essas coisas e carinhosamente.” Outra carta psicografada por Stuqui, em Neves Paulista, Guilherme faz menção à criação de cavalos dos pai Ricardo Machado Gonçalves.

“Desde pequeno o Guilherme sempre foi ligado aos cavalos, gostava de dar os nomes e sair de boina”, garante a mãe Mariângela.

Carta de Daniela Betega Ahmad

“Meus queridos familiares e amigos, minha mãe Adriana, meu pai querido Assan, minhas irmãs Gabriela , Paloma, querida tia Lidiana, que a luz de Jesus abençoe a todos.

São muitas mentes a lhes escrever e falar do nosso retorno, eu vejo isso com a maior naturalidade, pois fora da matéria que ofusca os olhos, eu vejo tudo por outro ângulo.

Confesso que me surpreendo sim, eu não imaginava que nosso compromisso era tão ajustado com a vontade de Jesus nosso mestre, e hoje vejo que é assim.

O retorno que marcou nosso Rio Grande é da lei do Senhor e nós emissários de suas bênçãos que temos tarefas adiante para efetuar e devagar sanar as dores que assaltam tantos corações. A idéia do livro (Nossa nova caminhada, escrita pela jornalista e sua tia Lidiana Betega) é maravilhosa, e não acabou, temos muito mais para fazer, cada um contribui como pode, ver pais mais calmos e alegres me garante a certeza de que estou no lugar certo”.

Via > Organic

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