4 histórias incríveis reveladas na série

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O que faz um filme especial, mesmo depois de tantos anos, reprises e modas cinematográficas? A primeira temporada da série documental Filmes que Marcam Época, da Netflix, parece responder a essa pergunta tomando como exemplo quatro blockbusters do cinema moderno, que deixaram seu legado na cultura pop e ainda inspiram gerações: Dirty Dancing – Ritmo Quente, Esqueceram de Mim, Os Caça-Fantasmas e Duro de Matar.

Com pesquisa, narrativa e edição primorosas –formato semelhante ao de Brinquedos que Marcam Época, também da Netflix–, os episódios trazem dezenas de entrevistas com os produtores dos filmes, mergulhando o espectador em nostalgia e trazendo à tona ótimas histórias de bastidor, que nos ajudam a contextualizar e a explicar a pujança perene de cada um desses quatro fenômenos.

Veja abaixo quatro “causos” deliciosos e incríveis revelados na série.

Dirty Dancing: o filme “feminino” rejeitado 42 vezes

Um dos filmes mais vistos no mundo em 1987, com cenas de dança lendário do cinema, Dirty Dancing é uma produção de baixo orçamento —para o padrão americano; cerca de US$ 4,5 milhões— que quase não veio ao mundo. O motivo: os estúdios de Hollywood, comandados por homens, consideravam a história de Baby (Jennifer Grey), a jovem que substitui uma amiga em um show de dança, depois que ela engravida e recorre a um aborto clandestino, “feminina demais”. Eram outros tempos.

A série deixa clara a trajetória difícil do longa. Depois de uma tentativa frustrada de acordo com a MGM, ele foi rejeitado simplesmente 42 vezes por gigantes como Paramount, Universal, Warner e Fox e também por estúdios pequenos, como a Orion e a Miramax. A salvação foi improvável. A Vestron Pictures, uma ex-distribuidora de VHS e recém-criada produtora se interessou pelo roteiro, já que Mitchell Cannold, chefe de produção, tinha o hábito de passar férias na infância no mesmo resort em que se dá a história, nas montanhas Catskill, estado de Nova York.

Como é praxe no cinema, nem tudo parece: as cenas não foram filmadas no resort original, já que na alta temporada do verão, o local ficava lotado e indisponível para locação. A saída encontrada pela produção foi rodar em dois outros locais, no hotel Mountain Lake Lodge, na Virgínia —mas só por 14 dias, por restrições orçamentárias—, e em um acampamento masculino na Carolina do Norte, cenário da maior parte do longa, incluindo a clássica cena final.

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Imagem: Reprodução

Esqueceram de Mim: o filme cancelado

Este é outro filme que por pouco não saiu do papel. Inicialmente, seria produzido pelos estúdios Warner, que limitaram o orçamento a US$ 10 milhões, número baixo para um filme de apelo comercial. O problema é que as despesas com o set —a casa da família de Macaulay Culkin teve de ser recriada em estúdio, montado em uma escola de Chicago— inflaram os gastos, que foram para US$ 14,7 milhões. Como o estúdio aprovou, no máximo, 13,5 milhões, o filme apenas foi cancelado, com todos os profissionais envolvidos sendo convidados a se retirar.

Mas como o produtor John Hughes e o diretor Chris Columbus conseguiram salvar este clássico natalino? Na base do “jeitinho”. Em meio às negociações, eles foram atrás de outro estúdio, a Fox, que adorou o roteiro e concordou em oferecer o que eles queriam e ainda mais. Pelo acordo de confidencialidade, os executivos da Fox não poderiam ler a história enquanto o contrato com a Warner ainda estivesse valendo. Mas isso foi feito às escondidas, para não atrasar o cronograma. A série mostra que o calhamaço foi deixado em “algum lugar” que pudesse ser pego e lido pelos chefões da concorrente. E assim aconteceu.

Outra curiosidade revelada no documentário: Daniel Stern, o ladrão Marv Merchants de Esqueceram de Mim, deixou o filme logo no início da produção, por não concordar com cachê, já que teria de trabalhar por mais dias que o acordado de início. Ele foi substituído por Daniel Roebuck (O Fugitivo), mas a química com o parceiro de crime Joe Pesci, que vivia chegando atrasado no set, não funcionou. Ele então foi convidado a voltar para o set, corrigindo um erro que teria sido catastrófico, mas o documentário não deixa claro se houve um aumento de salário.

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Os Caça-Fantasmas, o filme “duplicado” que quase teve outro nome

Escrito pelos humoristas Harold Ramis e Dan Aykroyd, baseado em estudos paranormais da própria família de Aykroyd, o filme enfrentou um problema grave, com sérias implicações no roteiro e produção: o uso do nome Ghostbusters, registrado pela Filmation Studios, que pretendia adaptar a história da série de comédia The Ghost Busters (Trio Calafrio no Brasil) para uma versão animada para a TV, o que de fato ocorreu anos mais tarde.

Isso aconteceu com a produção já iniciada, com menos de um ano para o lançamento. Por pressão da Coca-Cola, que na época controlava a Columbia Pictures, várias cenas foram rodadas de forma “duplicada”, com todas as referências a Ghostbusters —título do longa e do serviço de caça-fantasmas da história— substituídas por um nome alternativo em segunda versão, Ghostbreakers. O pior: as negociações pelo nome emperraram e fracassaram no fim.

Mas sabemos que Caça-Fantasmas virou Caça-Fantasmas. O que aconteceu? O golpe do acaso. Nesse meio tempo, Frank Price, CEO que apostou na ideia de Aykroyd e Ramis, deixou a Columbia após perder poder de decisão frente aos executivos da Coca. Para onde ele foi? Para Universal, que por coincidência era dona da Filmation Studios. Ceder o nome para o projeto da rival, que começara nas mãos dele, foi uma de suas primeiras canetadas na nova casa, e o resto é história.

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Duro de Matar, o filme pensado para Frank Sinatra

Este clássico da adrenalina, que redefiniu o gênero de ação, é baseado no livro Nothing Lasts Forever (1979), de Roderick Thorp, sequência The Detective (1966), que fora adaptado para o cinema em 1968 com Frank Sinatra no papel de protagonista, o detetive Joe Leland. Ambos os romances foram escritos já com a ideia de virar filme com o cantor na pele do personagem principal. Isso mesmo. Duro de Matar foi pensado para Frank Sinatra.

Quando o projeto saiu do papel, no fim dos anos 1980, dirigido por John McTiernan, Sinatra já tinha mais de 70 anos e não queria mais se envolver se envolver com cinema, o que serviu como alívio para os produtores, que queriam criar um filme explosivo, com cenas frenéticas de ação, e para isso o ideal seria contar com um homem na casa dos 30. O escolhido foi Bruce Willis, astro da comédia televisiva que pediu um astronômico cachê de US$ 5 milhões, o mais alto da época.

Nem tudo foram flores. Antes do lançamento, o sucesso de Willis vinha sendo duramente questionado pelos executivos da Fox, que apostaram alto no filme -orçamento de US$ 28 milhões—, com efeitos visuais de primeira linha e cenas rodadas com helicópteros, principalmente depois de o trailer ser recebido com vaias e risos em algumas sessões. Na base do desespero, a Fox começou a divulgar pôsteres sem a foto do ator, apenas com o edifício do filme em chamas. Com o impressionante sucesso de bilheteria, em muito pelo carisma e humor do ator, logo eles mudaram de ideia e o trouxeram de volta ao cartaz.

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Imagem: Divulgação

Fonte >Uol Cinema

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