quarta-feira , setembro 30 2020

Na Costa Jurássica, fósseis de milhões de anos brotam do chão

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A Costa Jurássica, na Inglaterra, conta o passado com valiosos fósseis, que muitas vezes praticamente brotam das rochas com a passagem da água do mar.

Há 200 milhões de anos, a ilha da Grã-Bretanha, onde fica a Inglaterra, não era ali ao norte. Ela ficava bastante próxima ao equador, com um clima tropical. Mais tarde, “flutuou” para o norte, com o que se chama deriva continental.

Como se sabe disso? A resposta são os fósseis. Rochas sedimentares e fósseis de animais e plantas contam muito sobre o passado, e sobreviveram a essa longa viagem.

Não só a Grã-Bretanha viaja pelo oceano, mas todos os continentes. Há mais de 250 milhões de anos, havia um único supercontinente na Terra, a Pangeia. 

A separação desses continentes se deu ao fim da era geológica Paleozóica, um pouco antes – geologicamente falando – do surgimento dos dinossauros, que surgiram no início da era seguinte, a Mesozóica.

Costa Jurássica. (Imagem: UNESCO)

Do que se trata essa Costa Jurássica?

O oceano, antes, cobria uma região da Grã-Bretanha muito maior do que cobre hoje, e nesse local encontra-se muitos animais que ora viveram por ali.

A Costa Jurássica, se localiza no litoral da região onde é hoje o Canal da Mancha, o breve trecho oceânico que separa a Inglaterra da Europa continental.

A rica região, considerada um Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, é considerada como um dos melhores locais para a retirada de fósseis do mundo, e conta uma história de quase 200 milhões de anos.

(Créditos da imagem: JurassicCoast.org)

A regulamentação é mais aberta e, portanto, qualquer pessoa pode coletar fósseis, já que lá eles não são considerados propriedades do Estado, como geralmente ocorre em outros países, caso do Brasil. Conforme a revista Smithsonian, isso foi uma boa aposta, já que incentivou colecionadores e civis comuns a coletar, diminuindo as perdas dos fósseis, conforme o Código de Conduta de Coleta de Fósseis de West Dorset

No entanto, peças mais significativas devem ser relatadas ao estado, e a venda só pode ser feita após se oferecer gratuitamente a museus. Se o museu aceitar, a pessoa é obrigada a doar. 

Das centenas de visitas diárias, por civis e profissionais, entre 20 e 30 descobertas por ano são de interesse científico.

Alguns dos fósseis podem parecer pedras comuns para pessoas leigas, mas após uma longa e delicada limpeza com algumas ferramentas e ar comprimido, a beleza surge. E a valiosidade não é apenas científica. Muita gente lucra com esses fósseis: um ictiossauro, um réptil marinho, pode ser vendido por até centenas de milhares e dólares.

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Fonte >Sociedade Científica

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