sexta-feira , janeiro 15 2021

Jacarés tornam-se os maiores animais capazes de regenerar membros

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Os jacarés-americanos (Alligator mississippiensis) passaram a ser os maiores animais com a capacidade de regenerar membros perdidos. Essa conclusão veio de um estudo publicado em 18 de novembro de 2020 que mostra como os jacarés-americanos podem regenerar partes do tecido de suas caudas após uma ferida grave ou mesmo amputação. Com a aprovação do LDWF, Louisiana Department of Wildlife and Fisheries, os pesquisadores coletaram alguns animais ao redor do estado para analisar uma característica curiosa. Acontece que alguns dos jacarés tinham a ponta da cauda menor que os demais, com escamas diferentes do resto do corpo.

Após análises das células e da anatomia desses animais, os autores puderam identificar que houvera uma amputação de um pedaço do rabo desses animais. O mais impressionante, portanto, é que os bichos conseguiram regenerar uma parte do membro. Contudo, a regeneração não foi perfeita. Análises de raio-X mostraram que a parte do rabo que se regenerou não possuía mais ossos, apenas cartilagens reforçadas. As escamas também não se formaram completamente após a perda do membro: as escamas regeneradas são, na verdade, muito menores e com formatos diferentes do que seria o padrão para esses animais.

Ainda assim as novas partes da cauda que se formam são muito importantes para que o animal sobreviva, mesmo que a funcionalidade não seja a mesma do membro original.

Como acontece regeneração em jacarés

O jacaré-americano é o réptil oficial do estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Isso porque esses animais habitam amplamente os pântanos da região – que são essenciais para a reprodução, alimentação e, portanto, sobrevivência da espécie. Todavia, como qualquer outro hábitat, os pântanos são perigosos, principalmente para os jacarés mais jovens. Vale lembrar que diversas espécies de répteis, inclusive os A. mississippiensis podem ser canibais e atacar outros animais mais jovens. Nesse sentido, a cauda é um membro essencial para que os jacarés possam caçar e fugir de predadores.

(Imagem de Paul Brennan por Pixabay)

Tendo isso em vista, os autores puderam constatar a formação incompleta da nova cauda nos jovens jacarés. De acordo com os pesquisadores isso ocorre porque o custo de energia seria muito alto para regenerar o membro completamente. Isso, portanto, poderia prejudicar o desenvolvimento de outras funções vitais. “A regeneração de tecido é energeticamente muito cara. Se você coloca toda a sua energia na regeneração de uma estrutura perfeitamente, você está afastando a energia de outros processos mais essenciais como o crescimento do desenvolvimento.”, afirma Cindy Xu, bióloga e principal autora do artigo, em entrevista à National Geographic.

Regeneração em outros animais

(Imagem de inkoalseibua por Pixabay)

Alguns animais, como estrelas-do-mar, podem se regenerar completamente caso um membro seja amputado. Ou seja, se você quebrar uma estrela ao meio, os dois pedaços formarão dois novos animais. Isso só é possível devido ao desenvolvimento desses animais, que permite que células se reprogramem para formar um novo bicho. Contudo, em animais evolutivamente mais recentes, como os anfíbios, a regeneração pode acontecer apenas em certos membros. Isso porque o corpo do animal precisa criar milhões de novas células-tronco antes de começar a regeneração do novo membro. Esse processo ocorre, portanto, também nos jacarés-americanos. Todavia, esses animais não atingem a qualidade da regeneração que as salamandras conseguem, por exemplo.

O artigo científico foi publicado no periódico Scientific Reports.

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Fonte >Sociedade Científica

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